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Como você escreve um monólogo para Pavel de O Menino do Pijama Listrado?

(Pavel está sozinho na sala dos fundos da casa, os ombros caídos, o rosto uma máscara de resignação cansada. Ele está limpando meticulosamente um par de óculos, cujas lentes refletem o leve brilho da lamparina a óleo.)

“Eles acham que somos animais, sabe?

Eles nos dizem que devemos trabalhar duro para ganhar nosso sustento. Mas o que podemos ganhar? O que pode ser ganho neste lugar? Nada além de sua pena, seus momentos fugazes de desgosto.

Mas eles não nos veem. Na verdade não. Vêem números, classificações, uma doença a ser contida. Eles não veem o medo em meus olhos, a fome que rói meu estômago, o desejo de uma vida além destas paredes.

Eles também veem Bruno. O garotinho, com sua curiosidade inocente, suas perguntas inocentes. Eles o veem como uma criança, uma ameaça, um perigo potencial. Mas eles não veem a bondade em seu coração, o desejo de amizade, o desejo de se libertar da jaula que construíram ao seu redor.

Ele não entende. Ele não consegue entender. Ele nos vê como algo diferente, algo estranho. Mas ele não vê o terror, o desespero, a dor que carregamos dentro de nós. Ele nos vê como amigos, como iguais, e isso é algo lindo e perigoso.

Talvez um dia ele entenda. Talvez um dia ele veja o mundo além da cerca, o mundo ao qual todos pertencemos, onde não somos definidos pelas listras de nossas roupas, mas pelas batidas de nossos corações, pelos sonhos que preenchem nossas mentes. Mas até esse dia chegar, só posso esperar que ele permaneça seguro, que permaneça inocente, que nunca compreenda verdadeiramente a escuridão que nos rodeia."

(Pavel suspira, um suspiro profundo e pesado que ecoa o peso de seu desespero. Ele termina de limpar os óculos, com os dedos tremendo levemente. Ele se vira, com os olhos vazios, e se afasta, deixando a sala silenciosa e a lâmpada tremeluzindo na escuridão.)

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