O filme “Crianças” (2008), dirigido por Rodrigo Cortés, conta a história da psicóloga infantil, Laura, especializada no tratamento de crianças órfãs e traumatizadas psicologicamente. Ela trabalha no Centro de Reabilitação Infantil, uma instituição para crianças com graves problemas emocionais.
Um dia, Laura recebe uma nova paciente, uma jovem chamada Cristina, que está muda desde que seus pais morreram em um acidente de carro. O estado traumatizado de Cristina se deve ao acidente de carro que também tirou a vida de seus pais, deixando-a com uma profunda cicatriz psicológica.
À medida que Laura começa a trabalhar com Cristina, ela descobre que a menina não é a única criança do centro que enfrenta problemas emocionais profundamente enraizados. Cada criança tem sua história única de dor e trauma.
Laura rapidamente desenvolve um vínculo com Cristina e as outras crianças à medida que elas se abrem para ela e lhe confiam seus medos e segredos mais profundos. Ela descobre que muitos sofreram abuso, negligência e abandono. Suas cicatrizes emocionais são profundas e fazem com que se sintam perdidos e sozinhos.
Determinada a ajudá-los a se curar, Laura emprega várias técnicas terapêuticas para ajudá-los a processar o trauma e iniciar a jornada de recuperação. Através da arteterapia, musicoterapia e sessões de grupo, as crianças começam a expressar as suas emoções reprimidas e lentamente reconstroem a sua confiança no mundo.
Ao longo do filme, é revelado que a própria Laura não está imune a lutas emocionais. Ela carrega seus traumas e ansiedades pessoais, provenientes da infância, com os quais se depara no relacionamento com os filhos.
À medida que mergulha na vida das crianças e em seu processo de cura, Laura começa a formar laços fortes com elas. Suas histórias a tocam profundamente, e ela fica determinada a ajudá-los a encontrar felicidade e esperança para o futuro.
No entanto, o diretor do centro, Simón, fica preocupado com o intenso envolvimento de Laura com as crianças e com a sua abordagem terapêutica pouco convencional. Ele acredita que pode ser mais prejudicial do que benéfico. Laura fica frustrada com seu ceticismo e metodologias conflitantes, e a tensão entre eles aumenta.
Numa cena crucial, Cristina decide enfrentar a sua dor reprimida ao finalmente falar sobre o acidente de carro e a perda dos pais. Seu ato de coragem inspira as outras crianças a enfrentarem seus próprios demônios, resultando em um avanço poderoso.
À medida que as crianças progridem na sua jornada de cura, elas começam a formar amizades profundas e a apoiar-se mutuamente através das experiências partilhadas. Laura testemunha a transformação deles e percebe o impacto positivo que causou em suas vidas.
No entanto, o filme toma um rumo sombrio quando Simón insiste em administrar terapia de eletrochoque em uma das crianças, alegando que é a única forma eficaz de curá-la. Laura se opõe veementemente a esse tratamento, temendo que possa causar danos às crianças.
Num confronto climático, Laura expõe às autoridades as práticas antiéticas do centro, levando à prisão de Simón. O centro é fechado e as crianças são colocadas em instituições de acolhimento mais adequadas.
Na sequência, Laura reflete sobre o impacto que teve nas crianças e as lições que aprendeu com elas. "Crianças" serve, em última análise, como um comentário poderoso sobre a resiliência e a força das crianças que enfrentaram traumas imensos e o papel crucial da empatia e da compreensão para ajudá-las a se curar.